Em 1763, as autoridades portuguesas em Angola investigaram uma conspiração de degredados acusados de planejar um motim em Luanda. Em carta de 16 de março daquele ano, o governador de Angola, Antônio de Vasconcelos, informou ao secretário dos Negócios Ultramarinos, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, sobre os planos da denominada “conjuração de degredados”. Segundo a denúncia de um dos implicados, João Rodrigues, cerca de 40 homens integrariam o motim, embora os autos tenham registrado 63 réus. As denúncias motivaram a prisão dos suspeitos e, em 26 de janeiro, testemunhas foram ouvidas na casa do juiz de fora. O plano consistia em assassinar o governador e outros oficiais, saquear residências e fugir de Angola. Os depoimentos divergiam sobre o destino: alguns apontavam o Brasil (Pernambuco), enquanto outros indicavam o Loango, com auxílio francês — interesse este supostamente ligado ao tráfico de escravos, atividade bastante lucrativa na região. Entre as justificativas dos conspiradores estava também o desejo de se relacionarem com mulheres brancas, conjeturando-se que o status de degredados os impedia de contrair matrimônio com africanas. Outra motivação era “rechaçar” o administrador do Contrato Real, Manoel Cardoso, devido a uma acusação de furto de 400 mil-réis em livranças, o que ensejou uma busca em sua residência pelo juiz de fora. O governador anunciou as sentenças entre 25 e 26 de março de 1763. José Álvares, identificado como líder, e outros 20 réus foram acusados do crime de lesa-majestade e condenados à morte por enforcamento, enquanto os outros 41 réus foram perdoados por não figurarem como cabeças do motim.